segunda-feira, 5 de maio de 2014

Gentle Giant - The Power And The Glory [1974] - United Kingdom / Reino Unido

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Com a saída de Phil Shulman, o mais velho dos 3 irmãos que fundaram a banda, agora o GG é definitivamente um quinteto, mudanças na forma de pensar e na elaboração estrutural musical estava começando a surgir embora a marca registrada da melodia medieval não deixava de ser descartada. 1973 para o GG pelo visto parecia ser interminável; aproximadamente em em fins de novembro, um pouco depois do recente "In a glass house" o grupo ia para o estúdio gravar mais outro album que se entitularia como "The power and the glory" e seria extendidas as gravações até o início de fevereiro de 1974.

No início como quinteto o público não parecia confiante de imediato, mas aos poucos a simpatia tornou a surgir e isto fez inclusive com que o GG tivesse uma importação de 150.000 cópias nos Estados Unidos de "In a glass house", além das apresentações naquele país e atingindo um bom posicionamento para uma banda que não tinha preocupação alguma em elaborar músicas não-comerciais. Para tanto, com "The power..." o grupo se manteve com a WWA Records (o mesmo do anterior, só que desta vez o trabalho foi lançado também nos Estados Unidos e o último com esta gravadora) e com novas apresentações nos Estados Unidos (aproximadamente no final de 1974, porque todas as apresentações do primeiro semestre foram canceladas), um convite novo foi ofertado ao grupo por meio de um telegrama e desta vez era com a Chrysalis Records que tinha o JETHRO TULL (banda inclusive que o GG abriu shows nos Estados Unidos).

"The power..." chegou a ficar entre o Top 50 nos Estados Unidos e nem mesmo os integrantes do grupo acreditaram na maneira de como as coisas estavam indo bem para o lado deles. Foi durante a partir da metade do ano de 1974 que o GG se apresentou antes que fosse lançado oficialmente no mês de setembro daquele ano se estendendo com o repertório de "In the glass house" até que saísse "The power..." em setembro de 1974 e aí repertório do trabalho fosse incluído para as novas apresentações que se estenderiam até o trimestre de 1975. Por mais que o álbum tenha atingido uma boa classificação para o tipo de grupo que era na época, a grande maioria dos fãs não gostam muito deste trabalho visto que o impacto que sofreu entre "In a glass house" e "Free hand" é bem considerável, mas mesmo assim não deixa de ser um "masterpiece" como muitos fãs também consideram; é claro que é muito diferente entre o álbum de estréia "Gentle Giant" (1970).

O resultado deu na edição também de um compacto com uma faixa inédita que não pode ser incluida no vinil "The power and the glory" e foi colocada no CD (muita atenção no CD que contém a faixa bônus porque 2 distribuidoras imprimiram no encarte o nome da faixa, mas a música está inexistente), o título deste album. Detalhe a respeito sobre a este compacto que tem a faixa-título: a gravadora WWA pressionou o GG que fizessem músicas mais acessíveis ao público e serem mais comerciais, se tornando pop (algo que o grupo não tinha a intenção) fazendo compactos que incluía esta faixa, e o GG levou a pior na opinião da banda, levando ao estúdio dando uma expectativa de que era algo bom para os empresários, mas ao tocar a demo foi retirado na hora; aquilo foi uma gota d´água, causando um enorme insulto ao grupo que fez com que houvesse no momento troca de ofensas e xingamentos o que lhes custou a saída da WWA.

Este trabalho foi considerado como o primeiro em forma conceitual do que os fãs pensavam sobre a música do GG e ao mesmo tempo sobre poder, glória (o título do album significa "O poder e a glória" em inglês) corrupção, manipulação, acordos, traições, abuso a formalidade burocrática da política e a guerra entre as classes sociais. Existem rumores de que o GG se baseou inclusive o tema em relação ao caso de Watergate em 1972, da renúncia de Richard Nixon (presidente dos Estados Unidos na época coincidentemente).

Aqui fica uma dúvida: será que a banda já tinha a idéia do album como todo para depois posteriormente lançá-lo e tratar o assunto e ainda mais reforçando o nome no título? Imagine a seguinte situação: a Columbia Records (CBS), uma gravadora norte-americana descartou o conjunto em "In a glass house" e o país tem que importar uma quantidade de 150.000 albums (isso porque é a quantidade da época!!!) para os ouvintes americanos, o álbum sequer é lançado no país (e nem mesmo quando chegou a tecnologia do CD!!!) e "The power..." é lançado estranhamente numa boa nos Estados Unidos. Isso confirma uma hipótese de que para o GG (ou até mesmo qualquer ser humano) de que existe extremos entre a "glória" e a "queda" de algo, ou alguém na vida, ainda visto considerando as diversas manipulações empresariais que o GG sofria com gravadoras. Para a banda eles procuraram ser mais espontâneos em envolver uma seleção musical com os instrumentos mais próximo ao gênero do rock e como em todos os álbums de praxe traz a parceria da escrita musical feita pelos irmãos Shulman (Ray e Derek) e Minnear progredindo o quanto que pudessem.

Encontra-se uma variedade misturada de estilos musicais como o jazz, polifonia vanguardista, folk-medieval, música mecânica, sonoridades chinesa, o neo-clássico de Stravinsky, rock e claro funk novamente, mas não tanto quanto o álbum anterior (1. não deve ser esquecido que as turnês americanas contribuíram possivelmente observando esta categoria musical para que o GG se evoluísse a forma de compor não deixando de fora a excentricidade medieval procurando deixar de lado o pop, 2. se deixasse eles "infernizariam" a vida de nomes como o "Funkadelic", "Earth, Wind & Fire", "The Jackson Five" e entre outros deste meio; se o gênero rap que associa a música eletrônica com o funk é adorado por muitas pessoas deste estilo, qual não seria a diferença se misturando com música medieval ?); ainda assim é muito difícil comparar similaridades do GG com outros grupos de rock progressivo daquele ano de 1974, realmente a banda tinha a sua sonoridade própria de ser o que eram em se tratando no meio cultural musical. Realmente é um álbum característico no conjunto dos temas que propõe mesmo quase após 30 anos o seu lançamento ainda podemos observar socialmente como que ainda pouquíssimo houve progresso na forma social mundial.

Um ponto negativo do álbum é ter um pouco mais de 37 minutos de duração o que o GG poderia ter sido mais abusado porque no primeiro lado eles editaram pouco mais de 22 minutos totais nas 4 primeiras faixas enquanto que as outras 4 faixas restantes no segundo lado tem míseros 15 minutos de duração totais (o que a banda poderia ter sido mais produtiva) e daí o equilíbrio do tempo total devido ao primeiro lado conter 7 minutos de duração a mais.

A formação nada sofreu de mudanças entre os integrantes que teve como a produção feita pelo próprio grupo com a colaboração auxiliar de Gary Martin, o mesmo engenheiro de som que esteve presente no álbum anterior. A capa foi criada pela empresa "Cream" e uma diferença do encarte de vinil com o CD é que no caso do disquinho existe um fundo preto que aparenta nitidamente a carta de um baralho e aparece mais um pouco o corpo do lutador medieval enquanto que no vinil não se observa o detalhe tão nitidamente a carta do baralho (na verdade é como se tivesse sido recortada) e aparece um tanto menos o corpo do lutador medieval, apesar de que no vinil as cores da impressão aparenta ser mais claras.

A faixa de abertura é "Proclamation" - até poderia ser considerada a maior em termos de extensão chegando facilmente a 10 minutos de duração (e tornando até então a maior já gravada em estúdio pela banda em seus albuns oficiais já que "Nothing at all" do album de estréia "Gentle Giant" (1970) tem pouco mais de 9 minutos), isso porque os vocais e as melodias são as mesmas mas está dividida em duas sessões, sendo uma aqui na faixa inteira exclusivamente com outra faixa chamada "Valedictory" que encerra o album "The power...". Possui uma forma de acordes relativamente repetitiva mas com uma coordenação de arranjos sensacionais e equilibrados nos teclados em especial que incentivam uma melodia assustadora e assombrosa em alguns momentos o que cria uma tensão e expectativa ao ouvinte conforme ela vai sendo tocada no seu início sem a presença das baterias e percussão e com estilo de prog-funk a medida que vai tendo crescimento nos temas dos quais sãos constituidos os refrões da faixa. Muitos fãs do GG considera esta faixa como uma das mais dissonantes do album, mas pelo visto deixa os integrantes bastante ocupados ao executá-la. Esta faixa aparentemente começou a dar suas aparências na turnê de "In a glass house" pelo que alguns espectadores que assistiram o GG na época lembra, mas tudo indica que na introdução de uma apresentação foi tocada de uma forma de como se o GG estivesse treinando a música num estúdio e não 100% bem executada o que deixou parte de um público impaciente, ainda pelo pouco tempo de apresentação que possuiam para se apresentarem. Quando foi incluida no set-list quando o album foi divulgado, o GG incluia também um trecho de "Valedictory" e fazendo inclusive com que o tempo de execução nas apresentações também diminuisse. Existe uma versão muito empolgante no álbum ao vivo conceitual "Playin the fool - live" (1977) do qual quando a banda entra em cena com "Just the same", faixa de abertura do album "Free hand", finalizam acrescentando imediatamente a "Proclamation". Existe também uma versão diferente que pode ser apreciada em "The King Biscuit Flower Hour" (1998) O final é interessante dão uma impressão de que o GG vai tocando cada vez mais rápido.

"So sincere" - possivelmente é uma das faixas bem de um estilo do tipo vanguarda, com uma sonoridade muito frenética. Uma das coisas que não agrada muito aos ouvinte é a voz de Minnear nesta faixa, ele parece estar não muito entusiasmado quando cita os refrões da faixa e só apenas no momento que surge o coro dos integrantes que a música fica mais um tanto mais interessante quando citam a frase "So sincere" que significa "muito sincero" em inglês. Para quem possui versão do álbum em CD as duas primeiras notas são pertencentes a faixa anterior que foi editados no disquinho. Foi inclusa no set-list na divulgação do álbum e com o tempo foi sofrendo mudanças como uma fantástica improvisação de todos os membros ajudando John Weathers em suas baterias e percussão,  ficando assim 5 integrantes por volta de uns 3 ou 4 minutos fazendo com que a faixa se arrastasse chegando facilmente aos 10 minutos de duração sendo um exemplo característico encontrado no album "Playing the fool - live" e "The King Biscuit Flower Hour" e apresenta também um considerável "duelo" entre a guitarra de Green e o harpischord de Minnear na parte solo instrumental antes do surgimento do solo de percussão, além disso a banda não cita as palavras "So sincere, so sincere, so sincere, so sincere" a medida que terminam as estrofes. Comenta-se que existe uma versão pirata que atinge até os 20 minutos de duração, mas até então não se sabe certeiramente a respeito. Na turnê de 1977, o início da faixa era tocada apenas em vibrafone.

"Aspirations" - é considerada uma das melodias mais bonitas do trabalho pela maioria dos fãs. Realmente é muito melodiosa, talvez pode ser até considerada a "balada" do álbum, já que das outras 7 faixas existentes não tem nada a ver com a sonoridade desta, a música do "The power..." já comentada anteriormente passa por uma série de estilos, mas "Aspirations" é daquelas do tipo que sugere ao ouvinte para que sente, ouça e possa refletir em seus melhores momentos que passou na vida, ainda que é consideravelmente muito suave e tranquila do início ao fim. Uma faixa que se bobear dependendo do ouvinte acaba se apaixonando e fazendo com que não se canse de ouvir, eternamente inesquecível para pessoas que se sensibilizam com músicas "melosas". Aqui neste caso também o vocal é pertencente do tecladista Kerry Minnear mas está mais dramático e angelical do que a faixa anterior a desta. Detalhe: o GG cita nesta faixa as palavras "so sincere" que é título também da faixa anterior. 

"Playing the game" - é a maior faixa do album com quase 7 minutos de duração e soa com um pouquinho daquilo que foi feito em "In a glass house", tem também alguns momentos de funk no decorrer da faixa junto ao rock, mas no meio da sua sessão a melodia é tocada sob uma forma medieval e renascente. Foi incluída no set-list dos shows do GG mas em pouco tempo foi retirada porque a banda considerou ela muito sem sucesso, mas o grupo incluiu novamente a partir da turnê de 1977 até que a banda se finalizasse em 1980. Foi inclusa num compacto, o único lançado pela banda e considerado por muitos fãs da banda uma das faixas mais acessíveis em melodia. Apresenta um instrumento chamado "Shulberry" (deve ter sido originado este nome devido ao sobrenome dos irmãos Shulman e o nome do tecladista Kerry) do qual possuia 3 simples acordes e inventado por um acompanhante técnico da banda chamado Phil Freeman. No final da faixa apresenta um "falso final" interrompido por 2 frases de Minnear (que está na metade da faixa a partir da frase: "My thoughts never spoken...") com baixo de Ray e o piano elétrico junto com outros mais diversos teclados na parte solo instrumental. Uma versão ao vivo pode ser encontrada no album "BBC in concert" (1994).

"Cogs in cogs" - é a faixa da qual inicia o lado 2 do vinil é do qual possui apenas 15 pequenos minutos totais, sendo que este é um dos pontos negativos do trabalho e o GG poderia ter investido em incluir alguma faixa a mais, talvez até a editada em compacto inédita que em CD vem como bônus. Também é a menor faixa do trabalho com pouco mais de 3 minutos de duração e foi incluída também no set-list da banda nos shows ao vivo e foi inclusive uma faixa que chegou a ser tocada antes do "The power..." ser lançado, assim como a "Proclamation" e geralmente era tocada no início das apresentações do GG. A melodia é um tanto árdua, intensa e feroz soando sob a forma de rock tendo o ritmo das baterias de Weathers feito de uma maneira de faixas como "The runaway" do "In a glass house", álbum anterior. Dá uma leve impressão que o GG gravou esta faixa num dia extremamente de péssimo humor, numa péssima hora.

"No God´s a man" - é uma das faixas bem característica ao estilo bem na forma de sentimento medieval que o GG costuma compor e o que ainda seria uma das que representa até a capa do álbum. A melodia da introdução se desenvolve gradualmente e de uma maneira lógica apresentando tanto a guitarra elétrica e o violão acústico e ambos em conjunto com um teclado tocado como um cravo. Cantada por Derek com complexos vocais de apoio fazendo com que cada um vai se exaltando aos poucos. O destaque é para Green no solo instrumental e o maravilho órgão elétrico de Minnear sendo tocado por notas altas.

"The face" - cantada por Minnear o destaque vai para o violino tocado por Ray Shulman e só foi incluída pela primeira vez nas apresentações do GG a partir da metade de 1977, onde Ray tinha como naquelas ocasiões de apresentar suas habilidades com o instrumento para esta faixa sendo que a faixa se estenderia um pouco mais do que a original fazendo com que os 5 integrantes da banda fizessem um show de percussão junto com as baterias de Weathers, algo muito parecido na faixa "So sincere".

"Valedictory" - esta faixa contém o tema que reprisa a faixa de abertura do álbum "Proclamation" com a mesma melodia, porém um tanto surpreendente ao ouvinte por ela estar de uma forma mais radical e raivosa, porém aparenta estar um tanto lenta diferente de "Proclamation". Foi inclusa nas apresentações junto com a "Proclamation" mas numa extensão um tanto menor e na turnê do ano de 1975 foi inclusa como um "medley" com outras faixas finalizando-o no caso e tendo o final efeitos sonoros de vidros se quebrando (pertencentes ao "In a glass house"). Observe que no final da faixa terminar é possível escutar um gravador rebobinado uma fita (que induz ser desta música) para como se fosse voltar a escutar novamente "The power...".



Tracklist:
01. Proclamation - 6:46
02. So Sincere - 3:48
03. Aspirations - 4:38
04. Playing The Game - 6:43
05. Cogs In Cogs - 3:06
06. No God's A Man - 4:28
07. The Face - 4:12
08. Valedictory - 3:17
Total Time: 37:11

Line-up:
- Derek Shulman - lead vocals, all saxophones
- Gary Green - all guitars 
- Kerry Minnear - keyboards, cello, vocals
- Ray Shulman - bass, violin, vocals
- John Weathers - drums, percussion, vocals

Format: mp3 (320 kbps) = 87,6 mb = Narod

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