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domingo, 22 de junho de 2014

Recordando o Vale das Maçãs - 1977 - 1982 [2002] - Brazil / Brasil


As bandas da América do Sul, parecem não ter muito destaque em críticas e resenhas, mas esta certamente merece toda a sua atenção. Esta "one shot band", como muitas outras grandes bandas italianas também entram na divisão de maravilha sinfônica.

O ano de 1977 viu nascer no Brasil esta gema do rock progressivo nacional. Através do álbum As Crianças da Nova Floresta, o Recordando o Vale das Maçãs estabeleceu-se como um dos principais nomes da música na virada da década de 70 e para os 80, com canções que remetiam para as origens do rock progressivo, mas sem exagerar em técnica ou virtuosismo, apenas empregando letras sensacionais em arranjos belíssimos e encantadoramente trabalhados.

O Recordando o Vale das Maçãs foi formado em 1973, em Santos (SP) através dos amigos Fernando Pacheco (violões e voz), Fernando Motta (violões e percussão) e Domingos Mariotti (flauta, voz), com a ideia de tentar mostrar o som da natureza através da música. Motta e Pacheco já haviam tocado juntos nos grupos Os Lobos e End Up Six.

Com o passar dos anos novos músicos uniram-se ao grupo, sendo que Domingos saiu em 1977. Pacheco, Motta, Luis Aranha (violino), Moacir Amaral (flautas), Eliseu de Oliveira (teclados), Ronaldo Mesquita (baixo) e Milton Bernardes (bateria) gravaram "As Crianças da Nova Floresta", gravado em 1977, mas lançado em 1978, e que é considerado por muitos o melhor disco de rock progressivo brasileiro já lançado (na frente de qualquer um de O Terço, Mutantes, O Som Nosso de Cada Dia e Módulo 1000). 

De uma forma geral, o disco apresenta letras similares às do YES, contando histórias de alegria, superação, força de vontade e também alguns momentos de misticismo, sempre passando um lado “natureza” em todas as faixas, destacando o excelente trabalho entre flauta, violões e percussão. As canções do Lado A de "As Crianças da Nova Floresta", tratam sobre esperança (“Rancho, Filhos e Mulher”, mitologia (“Besteira”), loucura (“Olhar de Um Louco”) e vida (“Raio de Sol”).

Na quinta faixa, antigo lado B do vinil, o começo suave, com a flauta e os violinos sendo introduzidos ao mesmo tempo do violão e do baixo (que merece destaque em todo o álbum), dão sequência ao estribilho de teclados que leva ao início a letra (“quando eu penso nas voltas, que a vida, nos leva a dar …”). O ritmo lento, com a flauta fazendo intervenções junto com a voz, é simplesmente encantador. A bateria segura de Milton marca a canção quase com uma precisão cirúrgica, enquanto a letra vai discorrendo sobre como se livrar dos problemas, vendo que outras pessoas tem problemas piores que você, que você precisa mudar algumas situações/opiniões para ser mais feliz. 

As harmonias vocais juntamente dos tecados vão aumentando o ritmo da canção, até chegarmos no momento onde você “encara os problemas de frente”, com um belo solo de baixo seguido por uma sequência de solos de teclado e baixo. A flauta soa mais forte, acompanhada pelo violão de 12 cordas de Pacheco, onde as verdades que precisam ser vistas são mostradas. 

“Olhe tudo do jeito que você quiser ver, mas antes olhe pra dentro de você, o caminho começa por aí” é o ponto mais forte da canção, que segue no mesmo ritmo, com o baixo tomando conta da canção juntamente com a letra e os acompanhamentos dos violões. Por fim, “unam-se as mãos e venham conhecer essas crianças, por que essas crianças são vocês” encerra a letra, mostrando que todos somos crianças, que temos que evoluir e não criar problemas, mas sim aprender a solucioná-los. Uma bela letra para uma bela canção, que termina com uma voz feminina angelical, que não dá pra saber se é de uma mulher ou de uma menina, mas que fecha com chave de ouro essa canção. Esses vocais foram feitos pela cantora Cristina Lobão, que saiu do grupo ainda em 1977.

O grupo acabou sendo contratado exclusivo da TV TUPI, chegando inclusive a ter um clip que passava 6 vezes por dia na TV, durante 3 meses. Paralelo a isso, o Recordando o Vale das Maçãs participou regularmente de um dos maiores programas de audiencia na época, “Almoço com as Estrelas”, apresentado por Lolita Rodrigues e Airton Rodrigues.

Em 1982, o grupo lançou o compacto “Sorriso de Verão/Flores na Estrada”, que segue a mesma linha do LP lançado quatro anos antes, agora com o baterista Lourenço Gotti, mas infelizmente a banda não atingiu o sucesso que merecia. A TV TUPI já havia fechado, e o Recordando o Vale das Maçãs passou a gravar especiais para TV Cultura, e participando de programas na Bandeirantes e Globo, com “Sorriso de Verão” levando-os ao primeiro lugar nas rádios (FM) de Santos, onde permaneceram durante 6 meses.

Depois disso, o grupo separou-se. Em 1987, Fernando Pacheco lançou o excelente "Himalaia", que conta com a participação de alguns músicos do RVM no lado A.

Resenha por


Tracks:
1. Ranchos, Filhos e Mulher (3:08) 
2. Besteira (4:05) 
3. Olhar de hum Louco (3:53) 
4. Raio de Sol (6:08) 
5. Como criancas da Nova Floresta (18:10) 
Bonus Tracks: 
6. Sorriso de Verão (3:00) 
7. Flores na Estrada (2:34) Tempo total: 41:04

Musicians:
- Fernando Pacheco / elétricos e acústicos guitarras 
- Miltom Bernardes / bateria (1-5), percussão (1-5), vocal (1-5) 
- L. Gotti / bateria (6-7), percussão (6-7) 
- Eliseu Filho (Lee) / teclados, violino 
- Ronaldo Mesquita (Gui) / baixo Convidados: - Fernando Motta guitarra / acústico em 5,6 - Domingos Mariotti / flauta, chifre digitais - Fernando Ramos / teclados / vocais - Cristina adicionais

Format: flac (tracks + cue) = 304 mb = Torrent
Format: flac (tracks + cue) = 307 mb = Mega
Format: MP3 (320 kbps) = 130 mb = Mega

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